1 bilhão de dólares é muito dinheiro?

US$ 1 bilhão: quando um filme, uma prisão e um país quebrado revelam que o problema nunca foi o petróleo, sempre foram as pessoas

PhD Bertoncello

1/5/20263 min ler

Existe alguma semelhança entre Avatar: Fogo e Cinzas e a prisão de Maduro?Algumas, sim. A primeira delas é o valor financeiro envolvido. Fogo e Cinzas,faturou cerca de US$ 1 bilhão em apenas 15 dias, enquanto os custos militares para capturar o ex-presidente Maduro ultrapassaram US$ 1 bilhão em custos operacionais e gastos com munição, ao longo de pouco mais de um mês.

Mas vamos primeiro pensar nos filmes de Avatar. As gravações tiveram programações minuciosas. Avatar 2, 3 e 4 foram gravados ao mesmo tempo — sim, aquilo que será lançado em 2029 já foi gravado, justamente para preservar a idade cronológica dos atores mais jovens. Dessa forma, o faturamento de Avatar 1, de US$ 2,92 bilhões, o de Avatar 2, de US$ 2,3 bilhões, e o de Avatar 3, que já atingiu US$ 1 bilhão em apenas 15 dias, já cobriram com folga os custos de produção dos quatro filmes, estimados em US$ 1,37 bilhão. Assim, já temos aproximadamente US$ 4,85 bilhões de lucro operacional, sem contar a bilheteria adicional de Avatar 3 e toda a bilheteria de Avatar 4. Dessa forma, de 2006 até 2029, teremos um lucro estimado mínimo de US$ 6 bilhões.

Qual será o “lucro” da prisão de Maduro? A resposta depende do olhar de quem analisa. Para alguns, estamos falando de 303 bilhões de barris de petróleo, o que equivale a aproximadamente US$ 18,3 trilhões, considerando o barril a US$ 60. Se pensarmos sob o ponto de vista humanitário, o quadro é outro: cerca de 8 milhões de venezuelanos deixaram o país nos últimos 10 anos, o que representa, para o PIB da Venezuela, uma retração anual aproximada de US$ 38 bilhões. Para os países que receberam esses imigrantes, isso significou um custo fiscal anual em torno de US$ 15 bilhões.

Em resumo, estamos falando de petróleo ou de pessoas? Se for petróleo, o lucro estimado da receita anual seria de cerca de US$ 77 bilhões. Se for uma análise humanitária, o valor econômico envolvido é aproximadamente metade disso.

Para quem assistiu ao filme, a mensagem é clara: liberdade de escolha, fé em Deus e o uso consciente dos recursos naturais são o caminho. Já para o esquerdista de plantão, trata-se apenas de mais uma narrativa de um império capitalista contra os oprimidos. Mas, como economista, sou obrigado a imaginar: como viviam os cerca de 15 milhões de Na’vi (população estimada dos habitantes de Avatar) em Pandora? Viviam quase da mesma forma que a humanidade em 3000 a.C., marcada por guerras tribais. A situação melhora quando alcançamos cerca de 250 milhões de pessoas no nascimento de Cristo, e dá um salto decisivo com a Revolução Industrial, quando a humanidade chega a 1 bilhão de habitantes.

Em resumo, os custos dos filmes Avatar são muito menores do que o impacto real sobre a população estimada de Na’vi. A ideia de integração com a natureza e com Deus, pregada no filme, é positiva, mas ela só se concretiza por meio da tecnologia e não pelo retrocesso tecnológico. Basta observar o que ocorreu na Venezuela nos últimos anos. Maduro foi responsável por destruir a vida de cerca de 8 milhões de venezuelanos, que se tornaram imigrantes, além de outros 24 milhões que vivem em pobreza total dentro do país. Em outras palavras, o dobro da população estimada de Na’vi retratada nos filmes, que viviam em harmonia em Pandora — passou fome na Venezuela.

Este artigo tem como objetivo deixar claro que US$ 1 bilhão é muito dinheiro. Donald Trump está fazendo aquilo que considera o melhor para os Estados Unidos e, curiosamente, neste momento, isso também pode ser o melhor para a Venezuela. Para a maioria dos brasileiros, isso não faz a menor diferença, a não ser para quem tem amigos venezuelanos ou para quem teme uma eventual delação de Maduro envolvendo seus políticos de estimação aqui no Brasil.