Agenda 2030 queria e o que vai acontecer?

Enquanto o mundo corre para a Lua, o Brasil discute mais uma lei

PhD Bertoncello

6/1/20263 min ler

A Agenda 2030 foi assinada em setembro de 2015, quando 193 países-membros da ONU adotaram uma agenda humanista de capa e “woke” de coração. Dos 17 ODS, os mais importantes, como o fim da pobreza e da fome, nunca foram implantados, mas aqueles que tinham como objetivo diminuir a influência da família e aumentar a do Estado, como o ODS 5, já estavam a todo vapor em poucos anos. Enquanto isso, no mundo real, tínhamos a anexação da Crimeia pela Rússia, a ascensão do ISIS, a aprovação do desenvolvimento nuclear iraniano, a crise imigratória na Europa e, aqui no Brasil, a mais profunda crise econômica da história.

Aparentemente, o objetivo principal era a globalização das metas, o que exigiria uma governança global e, assim, teríamos mais segurança e tranquilidade. Porém, a Rússia não parou e continuou atacando a Ucrânia; o ISIS desestabilizou todo o Oriente Médio, sendo necessários ataques militares para conter o grupo; o Irã continuou desenvolvendo a sonhada bomba atômica; a imigração causou instabilidade social e política na Europa; e o Brasil desperdiçou mais uma chance de ter um Estado menor e com menos impostos, visto que hoje continuamos com um governo de esquerda.

Apesar do sonho dos globalistas, no meio desse caminho surgiu uma pedra chamada inteligência artificial (IA), que, antes de 2030, vai redesenhar completamente o poder, a força de trabalho e o desenvolvimento humano. Até 2030, deve contribuir para o aumento do PIB global em USD 20 trilhões, segundo o Banco Mundial. Os investimentos atuais estão em USD 1,5 trilhão anuais. A IA deve transformar 22% de toda a forma de trabalho no mundo, e os agentes autônomos estarão presentes em 100% dos trabalhos de TI até 2030, segundo a Gartner. A criação de riqueza será irreconhecível daqui a quatro anos.

A estratégia mais recomendada para o Brasil é se especializar em alguma área, já que não dominamos todo o ciclo da IA como os Estados Unidos. Poderíamos focar na cura de doenças tropicais, na agricultura ou, ainda, em melhorar nossa educação, mas resolvemos focar no PL 2338/2023, que cria uma rigidez regulatória e burocrática para inibir o desenvolvimento da IA no Brasil. Nossos políticos se orgulham de ter criado um “sandbox regulatório” que praticamente mata qualquer startup, protege grandes grupos e a mídia, e faz um “convite” para todo empresário inovador sair do país. Para quem tem gato, sabe para que serve uma caixa de areia; nossos políticos e nossas leis têm a mesma função que os resíduos dos gatos.

Assim, o próximo presidente do Brasil terá inúmeros desafios locais: a pirâmide etária invertida, uma força de trabalho com péssimo nível educacional e um ambiente socioeconômico que impede o desenvolvimento da nova revolução humana, a IA. Temos custos de energia elevados, leis que têm como objetivo deixar o Brasil no século passado e a ausência de visão dos políticos atuais. Sem esses obstáculos, poderíamos transformar o país em um local de grandes investimentos, apesar de sua posição geográfica pouco atrativa.

Eu termino o artigo com dois pontos de vista. Primeiro: eu não nego que haja um movimento globalista e que existam pessoas que queiram dominar e controlar tudo, seja por meio de agendas globais, como a Agenda 2030, seja espalhando o medo, por meio de pandemias ou até mesmo de ETs. Porém, esses globalistas não compreendem que a complexidade humana possui inúmeras variáveis, tornando quase impossível determinar a direção que seguiremos como raça humana.

Segundo, e mais triste, é que provavelmente o Brasil estará fora das novas conquistas humanas. Estaremos abaixo da média global em praticamente tudo, porque aqui os políticos, a mídia e o sistema financeiro têm uma visão míope de país. Assim, não espere que sejamos um exemplo de empreendedorismo, que tenhamos empresas de referência em IA ou que o país participe da colonização do novo “continente” chamado Lua.

Enquanto o mundo evolui em um ritmo cada vez mais rápido, ainda não teremos água e esgoto para toda a população. Ainda teremos analfabetos funcionais e pessoas que acreditam que o Estado vai resolver os problemas criando mais um imposto ou mais uma lei, principalmente se tivermos, nos próximos anos, outro governo de esquerda.

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