As tarifas do Trump caíram por causa da Suprema corte e aqui no Brasil...
Enquanto o mundo reduz tarifas para crescer, o Brasil aumenta impostos e encarece o futuro
PhD Bertoncello
2/23/20263 min ler


As tarifas globais de Trump caíram em fevereiro de 2026. Tudo começou porque um pequeno importador de vinho em Nova York se sentiu prejudicado com as tarifas, entrou na Justiça e questionou a Suprema Corte em abril de 2025. Victor Owen Schwartz perguntou se não era apenas o Congresso Nacional poderia criar impostos e se o presidente americano teria extrapolado seus poderes. Depois, recebeu a adesão de diversos outros importadores, e a lei prevaleceu.
Naturalmente, entendo que o contexto é mais amplo e que a geopolítica tem um peso muito maior do que apenas ter ou não mais tarifas para vinhos europeus ou produtos chineses, mas vamos aqui fazer uma análise apenas das instituições do modelo comercial e das consequências para o país e sua população.
Vamos comparar os impostos e a política de tarifas do Brasil e dos Estados Unidos. Em 2024, as tarifas médias das importações nos Estados Unidos eram de 2,6%, as mais baixas da história. Depois da política de Trump, as tarifas médias passaram para 13% e, após a mudança da Suprema Corte, devem cair para perto de 5%. Isso porque a tarifa global é de 10% e pode passar para 15%, mas inúmeros produtos não têm impostos, como no setor energético, muitos fármacos e tudo o que está ligado à tecnologia.
No Brasil, podemos fazer uma analogia entre o governo Bolsonaro e o governo Lula. No final do governo Bolsonaro, a pauta importadora teve redução de impostos em 87% dos produtos. No início do governo Lula, todos os itens que não tinham impostos passaram a ter, inclusive itens essenciais como medicamentos e anestésicos. A energia renovável foi a que mais sofreu: os painéis solares saíram de tarifa de 0% para 35% em dois anos. Em geral, nossas tarifas são divididas por setor e podem ser colocadas assim: indústria, 15%; bens de consumo, 30%; agro, 12%; serviços, 40%; e bens de capital, 12%, sem contar o IPI, PIS, Cofins e os impostos estaduais, municipais e taxas administrativas.
Além de um passado muito diferente, o presente é ainda mais discrepante. Enquanto as tarifas estão caindo lá, aqui o governo destacou mais de mil itens para aumentar ainda mais os impostos. De insumos técnicos como resinas, sensores, rolamentos, válvulas e microcomponentes, passando por equipamentos médicos e laboratoriais e afetando componentes agrícolas como peças de colheitadeiras e fertilizantes. Em resumo, vamos aumentar o custo da produção industrial, dos tratamentos médicos e de todos os alimentos.
Proponho uma reflexão que vá além da manchete de jornal. A pergunta é simples: para que servem os governos, as instituições e qual é o papel da população em cada um dos exemplos, Brasil e Estados Unidos?
Independentemente de gostar ou não das políticas de Trump, de acreditar em sua eficácia econômica ou de ser contra elas, essas políticas foram limitadas por comerciantes que tiveram o direito de questionar a constitucionalidade do aumento de tarifas. A Suprema Corte de lá decidiu pela letra da lei e, apesar de a maioria dos juízes ser indicada por republicanos, eles tiveram a liberdade de votar contra uma política de um presidente republicano.
Aqui no Brasil, nos últimos três anos, tivemos aumentos expressivos de tarifas de importação, da tributação sobre a movimentação financeira e, inclusive, dos impostos internos sobre o consumo, mas ninguém questionou juridicamente os movimentos do governo. Qual é o fundamento que faz os pequenos questionarem os grandes poderes nos Estados Unidos? De onde vem a confiança do cidadão que acredita que os impostos devem sempre ser menores? E como podemos incentivar a população a ser mais questionadora?
A resposta passa por ter menos pessoas dependentes do Estado, que, ao verem um anúncio de aumento de impostos, não enxerguem mais benefícios, e sim um custo maior para manter a máquina pública, além de um aumento do custo de vida, com preços mais altos ou produtos nacionais de pior qualidade.
Afinal, aumentar o imposto de importação não é proteger a indústria; é encarecer máquinas, insumos, medicamentos e tecnologia. Como consequência, reduz a produtividade, trava investimentos e empurra a conta para o bolso do brasileiro. Podemos comemorar o fim do tarifaço para aumentar as exportações brasileiras, sim, mas deveríamos ter a mesma energia para repudiar o aumento de tarifas nacionais que prejudicam a nossa economia.
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