Como organizar informações econômicas com seus investimentos?

O mundo perdeu USD 12 trilhões em um único dia. Ouro e prata despencaram, investidores entraram em pânico e o mercado mostrou, mais uma vez, quem realmente manda no jogo.

PhD Bertoncello

2/2/20263 min ler

No último dia do mês de janeiro aconteceu o inesperado: os mercados de ouro e prata despencaram e, com eles, arrastaram o restante dos ativos das bolsas ao redor do mundo, causando uma perda global de aproximadamente USD 12 trilhões. Para dimensionar esse valor, se fosse um país, ele seria a terceira maior economia do mundo, ficando atrás apenas da China, com cerca de USD 17 trilhões, e dos Estados Unidos, com aproximadamente USD 27 trilhões. E aqui vai o primeiro aviso: apesar de os números estarem corretos, essa comparação é tecnicamente imprecisa, pois o PIB de um país representa a riqueza produzida em um ano, enquanto o valor de mercado dos ativos negociados em bolsa reflete a expectativa de criação de riqueza futura ao longo dos próximos anos.

Ao mesmo tempo, se existe uma expectativa futura, esse valor perdido estava, na prática, na carteira de milhares de investidores. Considerando apenas os mercados de prata e ouro, o prejuízo teria sido de aproximadamente USD 5,9 trilhões em um único dia. Para não ficarmos presos ao economês, vamos agora explicar por que o ouro e a prata têm valor, como podemos investir nesses ativos e quais são as expectativas para os próximos dias para esses metais.

O valor do ouro vem de sua função como reserva de valor, da demanda por parte dos bancos centrais de vários países, da incerteza geopolítica e econômica e das políticas monetárias expansionistas. Dessa forma, para proteger o capital, investidores buscam o ouro por causa de sua escassez e, assim, uma parte do portfólio permanece protegida contra a volatilidade.

A prata, por sua vez, tem seu valor sustentado pela demanda industrial. Países industrializados buscam manter estoques de prata para estabilizar os preços diante de eventuais déficits estruturais de oferta, restrições de exportação e políticas governamentais de confronto, principalmente entre Estados Unidos e China.

Apesar de estarem ancoradas em teses sólidas de valor, eventualmente sofrem quedas expressivas, como a da última sexta-feira. Em março de 1980, a prata perdeu cerca de 50% de seu valor em um único dia, no colapso da bolha formada pelos irmãos Hunt, e o ouro perdeu aproximadamente 30%. O fim dessa bolha foi impulsionado pela elevação dos juros pelo FED para patamares próximos de 15% ao ano. Em 2013, com o encerramento do QE pelo FED, o ouro caiu cerca de 25% e a prata aproximadamente 15% em poucos dias. Já em 2020, durante o crash da COVID, o ouro recuou cerca de 12% e a prata despencou aproximadamente 30% em um curto intervalo de tempo.

Neste momento, não estamos em iminência de aumento de juros, nem tampouco há um QE em andamento, e a diminuição de liquidez apontada pelo FED é praticamente irrelevante. Estamos falando de cerca de USD 8 bilhões por semana diante de uma perda de aproximadamente USD 5,9 trilhões em um único dia. Mas, como sempre digo, nunca discuta com o mercado, ele está sempre certo. Talvez razões ocultas, que hoje não são claras, venham a ser discutidas no futuro, mas, por ora, com as informações atuais disponíveis, vamos pensar no futuro e nos valores do ouro e da prata para os próximos dias.

Não descarto a possibilidade de novos testes de fundo no ouro e na prata, sendo USD 4.570 a onça do ouro e USD 70 a prata. No entanto, ao observar os movimentos macroeconômicos de valor, eles continuam presentes. No caso do ouro, permanecem a demanda dos bancos centrais, a incerteza geopolítica e as políticas monetárias expansionistas dos países. Já na prata, seguimos com forte demanda industrial, déficits estruturais de oferta e restrições de exportação. Por esses motivos, é possível que, em pouco tempo, a prata volte a operar acima de USD 100 e que o valor da onça de ouro supere USD 5.500.