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Economia Internacional

Por que Barretos odeia o Lula?

PhD Bertoncello·03/09/2026·4 min de lectura

Las publicaciones son escritas en portugués por el autor. La interfaz está traducida; el contenido de los artículos no.

Na primeira metade do século XX, uma região localizada perto dos limites entre Minas Gerais e São Paulo, entre o bioma do Cerrado e a transição com a Mata Atlântica, tornou-se um importante centro de criação, comércio e abate de gado. Antes da expansão do transporte rodoviário, era nas coordenadas 20°33′ de latitude Sul e 48°34′ de longitude Oeste que enormes boiadas chegavam conduzidas por comitivas de peões, que passavam semanas ou meses nas estradas e ali trocavam mercadorias, mas, acima de tudo, vestimentas, culinária, técnicas de manejo, gostos musicais e, naturalmente, disputas para demonstrar habilidade e coragem na lida com os animais.

Nesse ambiente, um grupo de jovens fundou o clube “Os Independentes”. Eram jovens solteiros em busca de vida social e, assim, organizaram, entre os dias 25 e 26 de agosto de 1956, a primeira Festa do Peão de Boiadeiro, que tinha como objetivo celebrar a cultura das comitivas e dos peões. Assim, a “alma” da festa sempre foi: economia da pecuária, cultura dos peões e iniciativa comunitária. Essa essência permanece até hoje. Mesmo depois de décadas de evolução e movimentando milhões de reais, ainda encontramos no Barretão a montaria, a música e a Queima do Alho, além de muita vida social, como idealizado pelos fundadores de “Os Independentes”.

Hoje, podemos definir o tecido social de Barretos em dois pontos de enorme simbiose: de um lado, a tradição, que podemos aqui chamar de cultura sertaneja do interior paulista, pautada no trabalho rural, nas relações pessoais e no amor pela cultura; do outro lado, a cidade moderna, formada por profissionais da saúde, centros de pesquisa universitários e um polo de excelência no comércio e nos serviços.

Aqui entra meu ponto de vista sobre o porquê do ódio ao candidato Lula: nos últimos quatro anos, o que este governo entregou para a parte da sociedade tradicional brasileira? Como foi tratada a cultura sertaneja? O que foi feito pelos setores da saúde? Quais avanços tivemos na educação? E como foram tratados os setores de serviços e comércio quando pensamos em impostos e juros?

Provavelmente, sua resposta é tão negativa quanto meus pensamentos. Afinal, Barretos representa justamente um Brasil que Brasília frequentemente parece não compreender: campo, família, comércio, saúde filantrópica, empreendedorismo e cultura sertaneja. É uma sociedade que não pede para o Estado criar sua identidade; pede que ele pare de dificultar a vida de quem produz e respeite quem ela é!

Agora, fica mais fácil compreender por que Flávio Bolsonaro foi ovacionado, Tarcísio de Freitas foi bem recebido, Ronaldo Caiado foi acolhido e Lula, mesmo não estando presente na festa, foi lembrado e hostilizado de forma espontânea em vários momentos por praticamente toda a arena!

A Festa do Peão é muito mais do que um rodeio: é o interior paulista mostrando ao Brasil a grandeza de sua cultura, a força de sua gente e o respeito por uma história construída com trabalho. Barretos é a força do trabalho transformada em tradição: coragem, campo, família e orgulho de um Brasil que produz, empreende e não esquece suas raízes.

Espero que esta mensagem, plantada por jovens peões em 1956 e eternizada por milhares de anônimos que gritaram “Lula ladrão” 70 anos depois, seja a síntese de um Brasil que transforma tradição em capital social, trabalho em prosperidade e identidade cultural em desenvolvimento econômico, revelando a força, a coragem e a capacidade de preservar suas raízes enquanto produz riqueza, oportunidades e futuro.

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