Feliz Banco Master ou prospero BRB

Um banco quebra, outro pode cair: como decisões de poder colocam o sistema financeiro brasileiro à beira de uma corrida bancária

PhD Bertoncello

12/29/20253 min ler

Tradicionalmente desejamos feliz Ano Novo ou um próspero 2026 por ainda estarmos em 2025, mas este ano, no dia 30 de dezembro, no último dia útil de 2025, teremos o último absurdo do ano, tendo como protagonista o ministro do Supremo Tribunal Federal José Antônio Dias Toffoli, nascido em Marília, assim como eu. Apesar de eu não ser amigo do amigo de ninguém, temos a cidade natal em comum. Nesse mesmo dia, o ministro fará um depoimento e uma acareação entre Daniel Bueno Vorcaro, presidente do Banco Master, e o diretor do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, deixando o mundo jurídico novamente de saia curta. Normalmente, acareações acontecem após a análise minuciosa dos depoimentos e a identificação de pontos-chave para o desvendamento de crimes.

Já conhecemos o juiz, agora vamos aos depoentes. Aliás, não se sabe se Ailton de Aquino é depoente ou acusado, o que, no Direito, faz uma enorme diferença no momento do depoimento. Caso seja testemunha, ele não pode mentir; caso seja acusado, não é obrigado a responder nem a produzir provas contra si. Em sua biografia, Aquino é chefe do Departamento de Contabilidade, Orçamento e Execução Financeira (Deafi), formado em Ciências Contábeis pela Universidade Estadual da Bahia (1997), esquerdista declarado, indicado para o cargo por Lula (2023) e ostenta a posição de primeiro diretor negro da história do Banco Central.

Vorcaro, por sua vez, filho da classe média, assume o controle do Banco Máxima em 2018, o renomeia como Banco Master em 2021 e passa a oferecer CDBs com rentabilidade superior a 120% do CDI, com vencimentos longos, investindo esse capital de forma agressiva em precatórios e em empresas sem liquidez. Apesar da suposta informação privilegiada envolvendo precatórios, apontada por Ciro Gomes, estratégias como a do Banco Master são kamikazes, caracterizando um clássico descasamento de prazos, ou mismatch, como é conhecido no mercado. Em outras palavras, este banco tem muita coisa errada.

O fato, até agora, é que o Banco Master quebrou, o diretor do Banco Central liquidou o banco, e muitos políticos e juízes, posso citar Temer (MDB) e Toffoli,não concordam com esse cenário e querem que um banco público de Brasília, o BRB, compre o Banco Master e assuma todos os erros. Aqui é preciso fazer um parêntese: o atual presidente do BRB tem como “padrinho político” Ibaneis Rocha, do MDB, amigo de Temer. Retomando, o BRB salvaria a fortuna de Vorcaro e colocaria à prova uma das teorias sobre colapsos financeiros mais consolidadas do mercado: a teoria das corridas bancárias, desenvolvida por Diamond e Dybvig(1983).

Segundo Diamond e Dybvig, um banco não quebra quando seus ativos deixam de valer, mas quando a confiança coletiva se rompe e todos tentam transformar ativos de longo prazo em liquidez imediata ao mesmo tempo. Essa corrida não ocorreria com o Banco Master, que já não tem credibilidade alguma, mas sim com o BRB. Nesse caso, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) teria que assumir cerca de R$ 63 bilhões do Master e mais R$ 74 bilhões do BRB. Já é sabido que não há recursos suficientes no FGC para isso e, provavelmente, seria necessário envolver outro banco maior para salvar ambos. Assim, a teoria das corridas bancárias efetivamente se materializaria, e todo o Brasil poderia sofrer em razão dos problemas de Vorcaro e de Toffoli.

Nesse cenário caótico, em que pessoas com muito poder agem sem nenhuma responsabilidade, corremos o risco de não termos um feliz 2026 e um próspero Ano Novo, mas sim um final feliz para o Banco Master e todos os envolvidos. Isso colocaria em xeque a prosperidade do BRB e de todo o sistema financeiro para encobrir 129 milhões de motivos obscuros entre o STF e Daniel Vorcaro.