Inteligência Artificial e o Resultado?
A Inteligência Artificial vai roubar seu emprego? Talvez não… mas pode tornar o Brasil irrelevante.
PhD Bertoncello
3/16/20263 min ler


A Inteligência Artificial vai roubar seu emprego e mudar sua vida como estão falando? O que vai acontecer com o mundo e, especificamente, com o Brasil, China e Estados Unidos nos próximos anos? O primeiro passo é saber que não temos todas as respostas para a 4ª revolução e que podemos errar, como Peter Drucker (1996), que a chamou de revolução da informação, ou como Klaus Schwab (2016), que a chamou de cyber-physical ou redes digitais. Isso mesmo: os “donos” do mundo, há 10 anos, no Fórum Econômico Mundial, não tinham ideia do que seria a IA hoje.
Do ponto de vista prático, a Inteligência Artificial é o campo teórico e aplicado que busca construir agentes artificiais capazes de representar informações, processar sinais, aprender regularidades, inferir estados não observados, escolher ações e adaptar seu comportamento com base em objetivos definidos em ambientes de incerteza. Ela deve transformar dados sobre o mundo em ações orientadas a objetivos quando o ambiente é complexo, incompleto, dinâmico e incerto. Por isso chamamos de inteligência; porém, isso não é inteligência, e sim aplicação de conhecimento de forma rápida e precisa.
Sua aplicação vai criar milionários. Sim, vai enriquecer pessoas, empresas e nações, mas, para que isso aconteça, é necessário ter infraestrutura: de dados, internet, transações financeiras e satélites; computacional, com GPUs e chips especializados; energética, com redes elétricas dedicadas e baratas; de software e modelos; de talentos humanos; e muito capital para treinar modelos.
Aqui conseguimos fazer a primeira divisão: temos um país líder, um competidor ambicioso e outro país que está fora da corrida da nova revolução global. Quando observamos a infraestrutura americana, temos plataformas globais de dados, liderança em chips e clouds, energia abundante, modelos de software dominantes e o polo global de talentos. A China está muito avançada em dados massivos, mas todos sob controle estatal; o desenvolvimento da infraestrutura computacional também está nas mãos do Estado. O país tem dependência energética, seus softwares são baseados em modelos nacionais e investe fortemente na formação de talentos humanos. Enquanto isso, no Brasil, não existe estrutura de dados; somos 100% dependentes de infraestrutura computacional externa, nossa energia é cara e pouco confiável, a indústria de software é incipiente e há fuga de talentos.
Estamos vivenciando uma explosão de produtividade econômica em várias áreas, com maior destaque na medicina e na automação de sistemas complexos, como o tráfego aéreo e urbano e as redes elétricas inteligentes. Teremos, muito em breve, novos modelos econômicos e industriais, com robótica autônoma, veículos autônomos e a chamada biotecnologia computacional.
Esta revolução está acontecendo nos Estados Unidos hoje. A China é fomentada pelo Estado para criar o ambiente necessário para que a revolução da IA aconteça por lá também. E aqui no Brasil o governo luta para que ela nunca chegue, impondo leis restritivas, com um sistema tributário complexo e oneroso e sem infraestrutura digital. Com isso, os poucos talentos acabam saindo do Brasil.
Resultado: não corremos o risco de desemprego em massa, não teremos concentração de informações em poucas empresas e não iremos discutir segurança tecnológica. Isso porque estaremos fora da 4ª revolução mundial.
Para compreender as consequências de estar fora, procure na internet as condições humanas dos países que ficaram fora da 3ª revolução global. São eles: Sudão do Sul e Somália, na África; Iêmen e Afeganistão, na Ásia Menor; e Haiti e Cuba, nas Américas. Nenhum desses países corre o risco de o Uber substituir o táxi, alguns deles ainda nem têm táxi. Nessas localidades, o comércio local não reclama do e-commerce, afinal, não existe e-commerce lá, e a mídia local não reclama de fake news. Isso porque a concorrência ainda está entre o rádio e a TV.
Fecho este artigo de forma pessimista, mas realista: temos uma população relevante, um mercado digital relevante em nível global e boas universidades que poderiam se tornar centros de excelência. Mas este país chamado Brasil escolheu ser novamente medíocre e míope e, por isso, você não vai perder seu emprego para a IA. No entanto, seu emprego poderá se tornar irrelevante, como o de um produtor de qat no Iêmen ou de carvão no Haiti.
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