O fim das taxas das blusinhas e agora?
As blusinhas voltaram, mas o poder de compra do brasileiro continua desaparecendo
PhD Bertoncello
5/18/20263 min ler


O primeiro fato relevante é saber que as taxas são para valores importados de até USD 50,00. Na maior parte do mundo, essas taxas não existem. Aqui, nós as chamamos de “taxas das blusinhas”, porque o brasileiro, em sua maioria, compra roupas. Afinal, após o surgimento das plataformas AliExpress, Shein, Shopee e, posteriormente, Temu, tornou-se possível inserir pessoas de baixa renda no mercado globalizado. Porém, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2023, criou uma “formalização” da tributação para compras internacionais de qualquer valor, fazendo com que os preços praticamente dobrassem.
Qual foi o motivo para tirar as pessoas mais pobres da globalização do varejo? As empresas nacionais cobraram paridade de impostos entre produtos importados e produtos domésticos, ou mesmo entre os importados vendidos diretamente ao consumidor e aqueles trazidos pelos grandes grupos, como Renner, Magazine Luiza e Riachuelo. Afinal, essas empresas também importavam da China, mas pagavam impostos. Em vez de reduzir a carga tributária das empresas nacionais, o governo de Lula aumentou os impostos sobre os produtos importados, praticamente dobrando os preços e dificultando, de forma significativa, a possibilidade de as pessoas mais pobres reforçarem seus guarda-roupas.
Vamos separar os dados do varejo de tecidos, vestuário e calçados, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por semestre, desde 2022, último ano do governo de Jair Bolsonaro, até hoje. No 1º semestre de 2022, o setor cresceu +18%; no 2º semestre, +9%. Já no 1º semestre de 2023, primeiro ano do governo Lula, o crescimento caiu para +2%. No 2º semestre, quando entraram as taxas das blusinhas, houve retração de -1%. Em 2024, no 1º semestre, o crescimento foi de +3% e, no 2º semestre, +3,4%, parecendo que a medida havia funcionado. Porém, em 2025, o setor voltou a cair: -2% no 1º semestre e -4% no 2º semestre. Os números deixam claro que o varejo vai mal porque a população não tem dinheiro.
Mas, se o varejo continua quebrando, qual foi o motivo da mudança? E por que um batalhão de blogueiras e influenciadoras está festejando a abertura e a globalização do varejo para a população mais pobre? Segundo essa visão, a explicação seria simples: todos têm o direito de votar em outubro, e os influenciadores e o governo acreditariam que as pessoas têm memória curta ou simplesmente não perceberão que foi o próprio governo quem criou as taxas anteriormente, antes de discutir qualquer flexibilização ou isenção posterior.
As principais consequências acontecerão em tempos diferentes. O preço nas plataformas cairá imediatamente. Já o impacto no varejo ocorrerá ao longo do ano, e grandes e pequenas empresas aumentarão seus prejuízos. Afinal, 2025 já foi um ano terrível, e provavelmente muitas empresas fecharam as portas até o final do ano. Porém, o fator mais importante acontecerá entre outubro e novembro: o voto da população mais pobre, que voltou a ter o direito de comprar sem pagar impostos.
Mas quem é essa população beneficiada? Em sua maior parte, as classes C e D brasileiras. Considerando que a classe E possui acesso muito limitado a bens de consumo devido à baixa renda, enquanto as classes B e A já conseguem acessar o mercado internacional de outras formas, a classe C, que representa aproximadamente 100 milhões de pessoas com renda per capita entre R$ 1,8 mil e R$ 5 mil, e a classe D, com cerca de 60 milhões de pessoas e renda per capita entre R$ 900 e R$ 1,8 mil, voltaram a ter acesso a produtos mais baratos. E os sentimentos dessa parcela da população podem definir as eleições de 2026 e o futuro dos próximos anos no Brasil.
Com a permanência do governo, muito provavelmente as taxas voltarão em 2027. Porém, o ponto mais cruel não seria esse suposto blefe eleitoral, mas sim a política econômica que deixa a população brasileira com cada vez menos poder de compra devido à inflação e ao aumento do endividamento. Afinal, os juros devem continuar elevados porque, segundo essa análise, a principal causa dos juros altos, o excesso de gasto público, tende a permanecer durante o governo Lula.
Este artigo provavelmente não será lido pela faixa da população que mais foi, é e será afetada por políticas populistas, mas é uma forma de deixar claro, para quem está lendo, que não podemos subestimar o efeito positivo para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva entre os mais pobres e desavisados. Mesmo que efêmero, o efeito do fim das taxas permanecerá no inconsciente coletivo de muitas pessoas, afinal, USD 50 ou R$ 250 fazem toda a diferença no final do mês.
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