O sistema bancário vai colapsar?
Do colapso do Master ao risco sistêmico: como a podridão do sistema bancário pode derrubar o BRB e acionar um efeito dominó no Brasil
PhD Bertobcello
1/26/20263 min ler


Antes de dar essa resposta, precisamos apresentar alguns dados para começarmos a compreender o que isso significa, como está dividido e qual foi o contágio que o BRB sofreu do Master, assim como de que forma o BRB poderia contagiar outras instituições financeiras.
O sistema bancário-financeiro, por definição, é um núcleo responsável por criar intermediações financeiras monetárias entre os agentes econômicos, pessoas e/ou empresas superavitárias e deficitárias, exercendo a função de facilitador de liquidez e de avaliação de risco, além da capacidade de “criar” dinheiro de forma endógena por meio do crédito, os chamados M2.
Os ativos que circulam dentro do sistema bancário somam aproximadamente R$ 17,2 trilhões, o equivalente a cerca de 140% do PIB brasileiro. O Banco Central classifica os bancos em cinco categorias: S1, sistêmicos nacionais, que são os cinco grandes bancos e formam a espinha dorsal da economia brasileira; S2, bancos grandes, como BTG e Safra; S3, médios relevantes, como Inter, C6 e Daycoval; S4, regionais relevantes, como BRB e Banrisul; e S5, pequenos, como o Banco Master.
Apenas como esclarecimento, o Sicredi, com cerca de R$ 380 bilhões em ativos, e o Sicoob, com aproximadamente R$ 310 bilhões, estariam em S2 em termos de porte, porém não são bancos, e sim cooperativas, e por esse motivo não entram formalmente nessa classificação.
O Banco Master não agiu como facilitador de liquidez nem avaliou adequadamente os riscos de mercado. Segundo a Polícia Federal e o Banco Central, atuou de forma criminosa e/ou de má-fé. Tinha cerca de R$ 30 bilhões em ativos e fez desaparecer o equivalente a R$ 60 bilhões do mercado. Entre os maiores prejudicados estão fundos de pensão, com aproximadamente R$ 1,4 bilhão, e o BRB, com cerca de R$ 12 bilhões. E é aqui que o problema começa a se complicar: para indenizar pequenos investidores, o FGC sacou cerca de R$ 40 bilhões; os pensionistas são diluídos e, infelizmente, “invisíveis”, afinal o prejuízo ocorre no longo prazo. Já o BRB precisa fechar o balanço de 2025, e está faltando dinheiro.
No início de 2025, todos os ativos somados do BRB eram de R$ 11,1 bilhões. Só aí já haveria falta de dinheiro. Além disso, entre esses ativos há cerca de R$ 6,7 bilhões em precatórios a valor de face. No valor de mercado, esses ativos sofrem descontos entre 30% e 40%. Trata-se de precatórios dos governos federal, estaduais e municipais. Os números não são totalmente precisos, mas giram em torno de R$ 1,6 bilhão do governo federal, R$ 3,8 bilhões dos estados e R$ 1,3 bilhão dos municípios. Os estados que mais concentram precatórios são, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, e, entre as cidades, destacam-se São Paulo, Goiânia e Cuiabá. Tirando o governo federal, que é de esquerda, todos os principais devedores são de direita ou de centro, no mínimo estranho.
Do outro lado dessa história estão os investidores, que depositaram no BRB aproximadamente R$ 67 bilhões. Esses correntistas estão sacando, com razão, seus recursos, agravando ainda mais o fechamento do balanço do BRB, que, a meu ver, sem dinheiro público, entrará em colapso. Esse dinheiro pode vir do pagamento dos precatórios, de aportes do governo de Brasília ou de ajuda via Banco Central.
Por que isso deve acontecer? Se um banco S5, o Master, está levando um banco S4, o BRB, à falência, se o BRB for liquidado, qual será o banco S3 que poderá ser arrastado para esse pesadelo bancário? O efeito dominó será inevitável, e o pânico sistêmico dos investidores pode contaminar a espinha dorsal bancária, os S1, e aí teríamos o colapso do sistema bancário nacional.
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