Por que começar com o pé direito?
Quando o marketing esquece o indivíduo: por que ignorar o ‘pé direito’ custa caro às marcas no século XXI
PhD Bertoncello
12/22/20252 min ler


Antes de entrar no tema e explicar os conceitos, tenho que contar um acontecimento da minha vida, quando iniciei na primeira série já conseguia ler e escrever, mas segundo minha professora do jeito errado, e para me ajudar amarou minha mão esquerda para eu aprender a escrever com a mão certa, na visão dela a certa era a direita, depois de alguns meses eu escrevi com as duas, e depois de alguns anos apenas com a direita, mas de onde vinha a convicção da minha professora?
A concepção de que o lado direito é melhor tem origem grega, onde o lado direito δεξιός dexiós) era associado à ordem natural, à razão (λόγος lógos) e à harmonia do cosmos. Essa associação não era arbitrária, mas derivava de três fundamentos centrais: orientação espacial pelo movimento dos astros; antropologia filosófica que transportou o natural como representação ética e política; e em rituais e presságios sejam religiosos ou nos augúrios.
Estes conceitos foram assimilados pelos romanos que entravam nos templos com o pé direito em respeito ao lugar e aos deuses, depois foi consolidado no velho e o novo testamento demonstrando a preferência pela direita, o ato mais simbólico foi Dimas, o “bom ladrão” a direita de Jesus e Gestas o “mau ladrão” a esquerda de Jesus. E para os ateus de plantão, vamos a física, no hemisfério Norte onde nasce a civilização que conhecemos, os ciclones giram em sentido anti-horário enquanto os anticiclones em sentidos horário, em outras palavras para a direita temos estabilidade, ordem e alta pressão, e para a esquerda temos, instabilidade, perturbação e baixa pressão.
No dia de hoje a discussão da vez é a propaganda do chinelo com uma atriz de esquerda, jogando fora a tradição de entrar com o pé direito, agora vamos a fatos do marketing e dos números, os números naturais quanto mais a esquerda maior e, portanto, mais coletivos por outro lado quanto mais a direita menor e mais individual chegando ao número 1 representando um individuo, e o marketing moderno demonstra que os produtos devem ser hiperpersonalização (Hyper-personalization), identificados um a um para obter sucesso.
Quais serão os resultados esperados de curto prazo? Talvez o mesmo do chocolate que ninguém mais pede bis. Marcas e agências de marketing talvez estejam perdidas no labirinto ideológico e esqueceram a questão econômica básica do século XXI, quem não respeitar o individuo e suas crenças sejam elas; filosóficas, religiosas ou políticas estão fadadas a fracassar com ele, e caso este perfil represente parcela significativa do seu publico as vendas vão despencar.
Em resumo caso eu não tivesse nascido no século passado, provavelmente eu ainda escreveria com a mão esquerda, e nada teria mudado. Caso a marca de chinelo tivesse uma visão atual e não do século passado ela não apostaria em uma Marketing que parte do pressuposto de que consumidores são relativamente homogêneos com uma visão romântica da esquerda caviar, vale lembrar somos indivíduos conscientes, com visão critica e que adora a tradição de entrar o ano com o pé direito.
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