Por que paramos de ficar indignados?

Enquanto você dorme, seu patrimônio está sendo redistribuído. Uma história fictícia que talvez seja mais real do que você gostaria de admitir.

PhD Bertoncello

3/23/20262 min ler

Chega um determinado momento em que ver o Brasil isolado, indo para um encontro sul-americano de 33 países ao qual só três foram, ver o discurso do presidente, que parecia alterado pelo álcool, observar que a falta de combustível começa a ser um problema real e que o governo não faz nada, ou ainda ver o sistema financeiro caindo, desta vez com o Banco Digimais sendo liquidado ou comprado, tudo isso, todos os dias, faz com que chegue um momento em que ficamos adormecidos.

Então decidi contar uma estória para dormir. Em um país do Sul Oriental que fala português, as pessoas também adormeceram com a poção mágica do banco Blaster.

Tudo começou quando uma empresa de alimentos, a LEBAL, do governador Rui Frente e seu amigo Augusto Laranja, resolveu fazer uma poção mágica para os funcionários públicos. Nela, você conseguia comprar agora e pagar o dobro no final. É uma mágica maravilhosa para pessoas com baixa capacidade matemática, e foi um sucesso, afinal, aqueles funcionários têm essas características.

A ideia foi tão boa que se espalhou por todo o país, com a ajuda da visão empreendedora de Wagner Bagre, conhecido por ser muito liso e rápido. Em poucos meses, todos podiam se endividar e ficar felizes. Mas havia pessoas de cabeça branca que não eram alcançadas pela poção. Aí, com a ajuda do  Instituto Nunca Será Suficiente, conseguiram mais de 338 mil contratos e pegaram mais dinheiro.

Tamanho foi o sucesso que o presidente Polvo quis conhecer o Volbarato, dono da fábrica de poções. Depois do encontro, várias pessoas ligadas ao governo passaram a fazer parte da fábrica: os ministros Ovo, Leviandovoskis e Toffu. Mas não parou por aí. Ex-ministros como o Margarina e o Filho do Polvo, conhecido personagem do Bob Esponja, também entraram. Havia também o Sem Cabelo no INSS e o ator principal, o Otário.

Sim, o Otário colocou dinheiro na fábrica de poção porque acreditou no presidente das fábricas de poções, o Kalígola, e em sua guarda de vigilância, o Kodaf, que sempre vigia muito bem a qualidade dos sonhos vendidos por essas fábricas.

E todos dormiram tranquilos, afinal o povo desse lugar não fica indignado com absolutamente nada. O novo normal é ser roubado, ver seu negócio falindo ou ver seu salário ser engolido pela inflação, que, segundo Marco Pokémon, não existe, mas essa é outra estória.

Talvez todos saibam do que estamos falando e porque estou escrevendo desta forma, mas o intuito é deixar aqui registrada a minha “receita de bolo” na primeira página do jornal e, com isso, explicar que o problema não é a falta de caráter dos citados. O grande problema é o silêncio dos bons e a falta de informação sobre o que fazer. Estou aqui falando sobre o problema e ensinando como mitigar os riscos de perder o patrimônio para aqueles que o construíram com trabalho e agora vivem em um país onde as pessoas ficaram adormecidas.