Seis meses para as eleições o que pode mudar?

Em 2026, não será uma escolha política. Será uma escolha entre continuar sangrando lentamente ou enfrentar a dor para sobreviver.

PhD Bertoncello

4/6/20263 min ler

Para pensar em mudanças, temos que ver a situação atual do Brasil. Temos a décima primeira economia do mundo; segundo o Banco Mundial, 62% da população participa do mercado consumidor, com grande dependência de crédito e alta inadimplência. Os dados do Serasa Experian apontam números recordes: em março de 2026, 81 milhões de brasileiros estavam inadimplentes, uma situação muito parecida com a das empresas. 8,9 milhões de empresas estão sem pagar suas contas, e a recuperação judicial, em 2025, chegou a 5.680 empresas, um aumento de 24% comparado a 2024, e a insolvência ou falência cresceu 28% em 2025.

Como dados tão ruins podem coexistir com dados macroeconômicos relativamente bons? O desemprego está em níveis históricos, 5,8%; a inflação nos últimos 12 meses ficou em 3,81%, muito próxima da meta, e o PIB deve crescer 1,6% em 2026, pequeno, mas ainda crescendo. A resposta está nos dados macro que não são capas de jornais.

A dívida brasileira é a maior da história desde a implementação do Plano Real. Segundo o governo, terminaremos o ano com 80% do PIB; segundo o FMI, o Brasil tem uma dívida bruta de mais de 95% do PIB. O mais importante é a política fiscal inconsequente: em 2025, as despesas do governo foram de 46,9% do PIB. Em outras palavras, o governo tenta, por meio de intervenção, estimular a economia e, com isso, gera mais e mais problemas a cada ano.

Imaginando que ainda existisse o teto de gastos do governo passado e, ao compararmos com o arcabouço fiscal em vigor, o susto fica ainda maior. O Governo Lula, entre 2023 e 2025, fez um buraco nas contas públicas de R$ 334 bilhões, mas, se colocarmos a regra do teto de gastos, a conta fica ainda pior, chegando a um valor de R$ 713 bilhões. Naturalmente, este é apenas um exercício acadêmico; não temos o teto de gastos, mas a conta é sua de qualquer forma.

E esses problemas chegaram à maioria das famílias brasileiras. Apesar do dólar “controlado”, o custo de vida do brasileiro ficou mais caro e a percepção é de que a vida piorou. Apenas 24% da população acredita que a vida melhorou, apesar de a taxa de juros atual estar em 14,75%. Assim, respondendo à nossa pergunta, o que vai acontecer em 4 de outubro? Provavelmente, este governo perde a eleição.

O que mudaria com a direita no poder? Vamos imaginar um cenário hipotético em que o governo conseguisse cortar os gastos em 30% em 2027, acabando com gastos absurdos e com a corrupção, gerando uma economia de R$ 718 bilhões. Isso ajudaria na redução da dívida pública e na queda dos juros, mas, inicialmente, teríamos, no curto prazo, uma queda do PIB entre -2,5% e -4% em 2027, para voltar a crescer apenas em 2028. Teríamos uma liberação do dólar para favorecer exportadores, em particular o agronegócio, e a possibilidade de mudar a reforma tributária e diminuir a projeção do IVA de 29% para algo em torno de 25% e 22%.

Em resumo, em 2026 temos que escolher o caminho: ou continuaremos a morrer lentamente e fazer o Brasil terminar com uma economia medíocre, ou teremos que adotar tratamentos de quimioterapia, que vão causar muita dor, para salvar o Brasil, as empresas e os brasileiros.

Aí me pergunto: será que o brasileiro foi condicionado a depender do Estado como provedor e não temos maturidade coletiva para aceitar que a prosperidade sustentável exige exatamente o oposto? Deveríamos ter menos governo na economia e mais responsabilidade individual na geração de riqueza. Temo pela resposta e sei que ela virá em 4 de outubro.